Sertão de Dois Homens
Track 2
Senhor, eu chego arrastado Pra confessar a peleja O bem que a minha alma quer A minha carne almeja e negueja O espinho que eu tanto fujo É a flor que o meu corpo beija
Dois homens moram em mim No meio desse sertão Um quer a água da vida O outro, a poeira do chão O que me dá tanto horror É o mal que eu faço, Senhor
Contra a minha própria intenção Eu vejo o certo e o bom Mas ando pelo avesso Trancado na minha tenda O mal que eu odeio eu teço A alma voa pro céu Mas a minha carne tem peso
Ah! Miserável que sou Quem me liberta da morte Quem quebra as grades do peito Quem vai mudar minha sorte Se a Tua mão não me arranca A minha carne é mais forte
Eu sei que em mim não habita Nenhuma gota de bem Sou terra seca e rachada De um prisioneiro refém A mente quer a pureza A carne quer me fazer O escravo de não-sei-quem
Ah! Miserável que sou Quem me liberta da morte Quem quebra as grades do peito Quem vai mudar minha sorte Se a Tua mão não me arranca A minha carne é mais forte
Mas dou de joelhos o grito No fundo desse abismo aflito Toda a vitória foi dada No sangue de Cristo, o bendito Meu corpo ainda padece Mas a minha alma pertence Ao amor do Infinito