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Fé de Cordel

Fé de Cordel

2026 • 11 tracks

Sertao faith told the only way cordel knows how — with rhythm, vivid image, and truth with no detours. O Silencio Colossal, Seca do Orgulho, Verao Seco: arid landscapes that become metaphors for a thirsty soul, until it finally finds the Ondas de Graca that satisfy.

Tracks

  • 🎸 chords↗

    O cenáculo em Jerusalém
    Era o teto de minha mãe
    Eu era só um garoto
    Assistindo o fogo do Espírito
    Descer sobre a carne dos homens
    Meu nome de batismo era João
    Mas o mundo me chamou de Marcos
    Na primeira viagem, parti menino ao lado
    Do gigante Paulo e do meu primo Barnabé
    Mas o mar de Chipre era revolto
    E a terra de Panfília me meteu medo
    E eu senti o peso da cruz
    O pavor do desconhecido engoliu de vez a minha fé
    No meio do caminho, virei as costas e voltei pra casa
    Fuga. Fracasso. O recruta que andou de ré
    Mas a fraqueza de ontem não dita o meu fim
    A poeira da estrada ainda clama por mim
    Quem foge da guerra na primeira jornada
    Não sabe o que a Graça prepara na estrada
    A Graça, o mistério da Graça
    O tempo cobrou o seu preço
    Paulo não me aceitou de volta
    Aquele que abandonou a gente em Panfília
    Não serve para a guerra, foi o que ele disse
    A igreja chorou. Eu fui o motivo da rachadura no alicerce
    Mas Barnabé não soltou a minha mão
    E nós navegamos pro escuro
    Na sombra de Pedro, o pescador, eu amadureci
    Cresci no silêncio, forjei nova coragem
    E escrevi a voz de Pedro num livro imortal
    Eu, o garoto que fugiu do campo
    Desenhei no papiro o rugido do Leão
    Mas a fraqueza de ontem não dita o meu fim
    A poeira da estrada ainda clama por mim
    Quem foge da guerra na primeira jornada
    Não sabe o que a Graça prepara na estrada
    A Graça, o mistério da Graça
    Muitos invernos se passaram
    Soube que Paulo envelheceu
    Estava numa masmorra escura em Roma
    Esperando a espada de Nero
    O homem de ferro agora com o coração terno
    Moldado pela doçura e pelo amor de Cristo
    Então me chega a última carta dele a Timóteo
    O velho apóstolo escreveu
    Selando o nosso perdão e a nossa união
    Traze Marcos contigo
    Porque ele me é muito útil para o ministério
    O covarde virou voz
    O inútil, virou farol
    O desertor, abraçado pelo apóstolo
    No fim da corrida
    Mistério da Graça

  • 🎸 chords↗

    Senhor, eu chego arrastado
    Pra confessar a peleja
    O bem que a minha alma quer
    A minha carne almeja e negueja
    O espinho que eu tanto fujo
    É a flor que o meu corpo beija
    Dois homens moram em mim
    No meio desse sertão
    Um quer a água da vida
    O outro, a poeira do chão
    O que me dá tanto horror
    É o mal que eu faço, Senhor
    Contra a minha própria intenção
    Eu vejo o certo e o bom
    Mas ando pelo avesso
    Trancado na minha tenda
    O mal que eu odeio eu teço
    A alma voa pro céu
    Mas a minha carne tem peso
    Ah! Miserável que sou
    Quem me liberta da morte
    Quem quebra as grades do peito
    Quem vai mudar minha sorte
    Se a Tua mão não me arranca
    A minha carne é mais forte
    Eu sei que em mim não habita
    Nenhuma gota de bem
    Sou terra seca e rachada
    De um prisioneiro refém
    A mente quer a pureza
    A carne quer me fazer
    O escravo de não-sei-quem
    Ah! Miserável que sou
    Quem me liberta da morte
    Quem quebra as grades do peito
    Quem vai mudar minha sorte
    Se a Tua mão não me arranca
    A minha carne é mais forte
    Mas dou de joelhos o grito
    No fundo desse abismo aflito
    Toda a vitória foi dada
    No sangue de Cristo, o bendito
    Meu corpo ainda padece
    Mas a minha alma pertence
    Ao amor do Infinito

  • 🎸 chords↗

    O sol declina triste em Itapuã
    Varrendo de esplendor o mar anil
    E o vento que restou desta manhã
    Sopra um poema etéreo e sutil
    Diante do farol que corta o breu
    A imensidão reflete o olhar de Deus
    Mas a multidão transita tão normal
    Alheia ao Teu relógio sideral
    A espuma borda a renda do oceano
    Na tela magistral da criação
    E eu sinto o Teu mover tão soberano
    Pulsando no compasso da estação
    Dá uma vontade imensa de prostrar-me
    Pisando nesta areia frente ao mar
    De erguer as minhas mãos e derramar-me
    Ao Mestre que ensinou a onda a cantar
    O vento, a areia, o sal e a maré
    São provas silenciosas da minha fé
    É a glória de Jesus que o mar traduz
    Os passos distraídos pela areia
    Desfilam sem notar o Autor da cor
    Mas cada grão, na brisa que vagueia
    É um coro mudo erguido ao Criador
    O arrebol despede luz prateada
    Qual chuva derramada sobre o mar
    E a minha alma rende-se, velada
    Achando o Seu altar neste lugar
    A espuma borda a renda do oceano
    Na tela magistral da criação
    E eu sinto o Teu mover tão soberano
    Pulsando no compasso da estação
    Dá uma vontade imensa de prostrar-me
    Pisando nesta areia frente ao mar
    De erguer as minhas mãos e derramar-me
    Ao Mestre que ensinou a onda a cantar
    O vento, a areia, o sal e a maré
    São provas silenciosas da minha fé
    É a glória de Jesus que o mar traduz
    Derrama a Tua graça, meu Senhor
    Qual chuva de prata neste mar
    Em Itapuã ou onde eu for
    Cristo, eu só quero Te adorar
    Tão silenciosa e só Te adorar

  • 🎸 chords↗

    Na engrenagem do tempo, a sombra de espelhos
    Distorce o reflexo dos meus aparelhos
    Distorce o reflexo dos meus aparelhos
    A fôrma do século chama pro fundo
    Mas eu não me amoldo ao abismo do mundo
    Mas eu não me amoldo ao abismo do mundo
    Despindo a roupagem da velha ilusão
    A mente desperta, mudando a visão
    A mente desperta, mudando a visão
    Lá na madeira d'aquela cruz, o ego tombou
    Lá na madeira d'aquela cruz, o ego tombou
    Já não sou eu quem dita o compasso
    A velha semente quebrou no abraço
    Quem vive em mim foi o sangue que amou
    Quem vive em mim foi o sangue que amou
    A casca passada de escamas e dores
    Ficou no deserto dos meus dissabores
    Ficou no deserto dos meus dissabores
    Eu rasgo a cartilha da carne inflamada
    Do velho formato não levo mais nada
    Do velho formato não levo mais nada
    Despindo a roupagem da velha ilusão
    A mente desperta, mudando a visão
    A mente desperta, mudando a visão
    Lá na madeira d'aquela cruz, o ego tombou
    Lá na madeira d'aquela cruz, o ego tombou
    Já não sou eu quem dita o compasso
    A velha semente quebrou no abraço
    Quem vive em mim foi o sangue que amou
    Quem vive em mim foi o sangue que amou
    A fôrma do século
    Já não me amoldo
    A velha roupagem
    Ficou no deserto
    O velho compasso
    O ego tombou
    Quem vive em mim
    Já não sou eu
    Quem vive em mim
    Foi o sangue que amou

  • 🎸 chords↗

    Qual é a substância do silêncio colossal
    Que forja no calcário o pulso original
    Pois quando tu trouxeste a rosa de cristal
    A fenda do existir tornou-se manancial
    Apenas desvanece o ermo sideral
    Ao lume dessa aurora no meu madrigal
    E fomos desenlace em rito atemporal
    Fundindo a tua luz no meu barro mortal
    Mas onde é que se extingue o tempo tirano
    Que sulca a sombra crua do escrúpulo humano
    Apenas no mergulho em teu olhar arcano
    As asas rotas fazem voo soberano
    Quebrou-se a pálida agonia no secano
    Perante a altivez do teu meridiano
    E a dor que fuzilava o peito cotidiano
    Desfez-se num assombro celestial e lhano
    Essa prosa laboriosa
    Eis a verdade nua de quem sou
    Eu caminhava cego, só, e a alma fria
    Até que o meu Jesus me resgatou
    Eu caminhava cego, só, e a alma fria
    Até que o meu Jesus me resgatou
    Qual é a substância do silêncio colossal
    A fenda do existir tornou-se manancial

  • 🎸 chords↗

    Tudo em volta é terra seca
    O sol queima a ribanceira
    Fui trocar a minha casa
    Pela sombra da poeira
    Quem me dera ser a ave
    Que tem asa pra voar
    Tô doente, tô perdido
    Sem ter norte pra voltar
    Lá na casa do meu Pai
    Té o mais grave tem o pão
    E eu aqui, morrendo à míngua
    De orgulho e solidão
    Ai, Senhor tem piedade
    Rasga o mudo deste chão
    Faz chover a Tua graça
    No meu pobre coração
    Tô igual o passarim
    Que canta cego de dor
    Na gaiola do pecado
    Esperando o Salvador
    Eu ceguei meus próprio óio
    Pra seguir a ilusão
    Fui buscar a liberdade
    E encontrei a escravidão
    Hoje a fome corta o peito
    Entre os porcos e o farelo
    Tô chorando sangue e terra
    Lembrando do Teu castelo
    Lá na casa do meu Pai
    Té o mais grave tem o pão
    E eu aqui, morrendo à míngua
    De orgulho e solidão
    Ai, Senhor tem piedade
    Rasga o mudo deste chão
    Faz chover a Tua graça
    No meu pobre coração
    Tô igual o passarim
    Que canta cego de dor
    Na gaiola do pecado
    Esperando o Salvador
    Tô voltando cego e solto
    Me aceita por favor
    Cego de dor
    Esperando o Salvador

  • 🎸 chords↗

    Deus meu Deus meu por que me desamparaste
    De dia eu clamo, e Tu não me respondes
    Mas eu sou verme, e já não sou homem
    Opróbrio dos homens, do povo desprezado
    Fui desprezado e o mais rejeitado
    Homem de dores, que sabe o que é padecer
    Verdadeiramente tomei vossas dores
    E as vossas enfermidades, levei sobre mim
    Derramei-me como água
    E todos os meus ossos se desconjuntaram
    Fui ferido por vossas transgressões
    E fui moído por vossas iniquidades
    O castigo que vos traz a paz, estava sobre mim
    E por minhas pisaduras fostes sarados
    Repartem entre si as minhas vestes
    E sobre a minha túnica, lançaram sortes
    Como um cordeiro levado ao matadouro
    E como ovelha muda
    Eu não abri a boca
    Pois cães me rodearam e a malta se ajunta
    Traspassaram as minhas mãos e os meus pés
    Poderia contar todos os meus ossos
    Eles me olham, e de mim fazem escárnio
    Derramei-me como água
    E todos os meus ossos se desconjuntaram
    Fui ferido por vossas transgressões
    E fui moído por vossas iniquidades
    O castigo que vos traz a paz, estava sobre mim
    E por minhas pisaduras fostes sarados
    Da aflição da minha alma
    Eu verei o fruto
    E ficarei satisfeito
    Chegarão, e anunciarão a Minha justiça
    Ao povo que nascer
    Eles dirão: Está consumado

  • 🎸 chords↗

    Não sou filha da Promessa
    Meu sangue é do Egito, terra estranha
    Sem herança, nem anel, ou realeza
    Fui a serva que gerou na amargura
    Descartada ao não servir mais
    Exilada no deserto sem meus pais
    Você me escuta e não tem onde deitar
    Se acha um erro, exilada do altar
    Pensa que o Céu tem pedigri
    Salvação não foi feita pra ti
    Escute a voz de quem bebeu a solidão
    Ele é o Deus dos de fora
    Água Viva pra quem foge e quem chora
    Sem aliança? Ele faz do pó nascer
    Ao rejeitado, Ele diz: Eu vejo você
    No fim da cova, quando a carne se desfez
    O Deus dos fracos me fez... Renascer
    Meu menino tava ali pra perecer
    Nenhum profeta lá do clã pra socorrer
    Mas o Senhor ouviu o choro do menino
    Deus não despreza o excluído no caminho
    Deus visitou a estrangeira na aflição
    Ele abriu a fonte na areia do Sertão
    Você me escuta e não tem onde deitar
    Se acha um erro, exilada do altar
    Pensa que o Céu tem pedigri
    Salvação não foi feita pra ti
    Escute a voz de quem bebeu a solidão
    Ele é o Deus dos de fora
    Água Viva pra quem foge e quem chora
    Sem aliança? Ele faz do pó nascer
    Ao rejeitado, Ele diz: Eu vejo você
    No fim da cova, quando a carne se desfez
    O Deus dos fracos me fez... Renascer
    Pro sem-família Ele é a porta
    Pra flor pisada Ele se importa
    Dos esquecidos Ele é o Rei
    Eu era escrava
    Me fez alguém
    Ele te vê
    Ele te ouve
    Eeeelllleeee te saaalvaaa

  • 🎸 chords↗

    Inclina o Teu ouvido pro chão do meu lamento
    A terra tá rachada, doendo no sereno
    Sou pobre e mendigante, não tenho o que mostrar
    Só tenho o couro seco e o pranto no olhar
    Me guarda, meu Senhor, que eu sou Teu servidor
    Eu grito o dia todo
    Me escuta, por favor
    Pois Tu és bom, Tu és perdoador
    Pra todo o que clama, sobeja o Teu amor
    No dia da aflição, no seco do meu sertão
    Eu clamo pelo Teu nome, prá trazê libertação
    Não há por entre os deuses ninguém que é como Tu
    Criou o universo, ninguém é como Tu
    As gentes que formaste, virão de sul a sul
    Pra servir, pra adorar, e exaltar somente Tu
    Me ensinae o caminho da Tua retidão
    Preu andá só na verdade, pisando esse torrão
    De todo o meu querer, Te dou o meu louvor
    Pois Tu me levantaste das covas do horror
    Não há por entre os deuses ninguém que é como Tu
    Criou o universo, ninguém é como Tu
    As gentes que formaste, virão de sul a sul
    Pra servir, pra adorar, e exaltar somente Tu
    Não há por entre os deuses
    Criou o universo
    As gentes que formaste
    Pra servir, pra adorar
    Não há por entre os deuses ninguém que é como Tu
    Criou o universo, ninguém é como Tu
    As gentes que formaste, virão de sul a sul
    Pra servir, pra adorar, e exaltar somente Tu

  • 🎸 chords↗

    O sol do meio-dia rachava o chão
    E a sombra do medo me fazia andar
    O cântaro cheio de desilusão
    Fugindo da vila, com vergonha de olhar
    A sede de água era só um pretexto
    A secura da alma doía bem mais
    Ali no poço, quebrando o contexto
    Um Judeu forasteiro me roubou a paz
    Me dá de beber, o Mestre pediu
    Varou meus conceitos no seu manso tom
    O livro dos meus desenganos se abriu
    Sem pedra na mão, só a graça e o dom
    Eu fui com meu barro buscar água fria
    Mas era Ele quem ia me saciar
    Ah, Ele me deu de uma Água tão viva
    Lavou o meu rosto, sarou meu passado
    Eu deixei o meu cântaro à beira da fonte
    E voltei pra vila de alma lavada
    Senhor que conhece o que a gente esconde
    Fez da minha secura um rio sem fim
    Quem bebe da água que o mundo oferece
    Sempre volta ao poço, padece de dor
    Mas quem toma a graça que d'Ele desce
    Vira nascente, transborda de amor
    A bilha de barro ficou na poeira
    Mas não tem problema, não tenho mais sede
    Ah, Ele me deu de uma Água tão viva
    Lavou o meu rosto, sarou meu passado
    Eu deixei o meu cântaro à beira da fonte
    E voltei pra vila de alma lavada
    Senhor que conhece o que a gente esconde
    Fez da minha secura um rio sem fim
    Ficou lá na poeira o meu cântaro velho
    Achei o oceano debaixo do sol
    A Água Viva me lavou

  • 🎸 chords↗

    Enquanto eu me calei
    Envelheceram os meus ossos
    Pelos meus gemidos o dia inteiro
    Pois a Tua mão pesava sobre mim
    O meu vigor secou
    Como no calor do verão
    O meu vigor secou
    Até que eu confessei a Ti o meu pecado
    E a minha maldade eu não encobri
    E Tu perdoaste a minha dor
    Tu és o meu esconderijo
    Tu és o meu esconderijo, Senhor
    Enquanto eu me calei
    Envelheceram os meus ossos
    Pelo meu gemido o dia inteiro
    A Tua mão pesava sobre mim
    O meu vigor secou
    Como no calor do verão
    O meu vigor secou
    Até que eu confessei a Ti o meu pecado
    E a minha maldade eu não encobri
    E Tu perdoaste a minha dor
    Tu és o meu esconderijo
    Tu és o meu esconderijo, Senhor
    Tu és o meu esconderijo
    Tu és o meu esconderijo
    O meu vigor secou
    Mas Tu és o meu esconderijo
    Tu és o meu esconderijo