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Fé de Cordel

Marcos

Faixa 1

O cenáculo em Jerusalém Era o teto de minha mãe Eu era só um garoto Assistindo o fogo do Espírito Descer sobre a carne dos homens Meu nome de batismo era João Mas o mundo me chamou de Marcos

Na primeira viagem, parti menino ao lado Do gigante Paulo e do meu primo Barnabé Mas o mar de Chipre era revolto E a terra de Panfília me meteu medo E eu senti o peso da cruz O pavor do desconhecido engoliu de vez a minha fé No meio do caminho, virei as costas e voltei pra casa Fuga. Fracasso. O recruta que andou de ré

Mas a fraqueza de ontem não dita o meu fim A poeira da estrada ainda clama por mim Quem foge da guerra na primeira jornada Não sabe o que a Graça prepara na estrada A Graça, o mistério da Graça

O tempo cobrou o seu preço Paulo não me aceitou de volta Aquele que abandonou a gente em Panfília Não serve para a guerra, foi o que ele disse A igreja chorou. Eu fui o motivo da rachadura no alicerce Mas Barnabé não soltou a minha mão E nós navegamos pro escuro

Na sombra de Pedro, o pescador, eu amadureci Cresci no silêncio, forjei nova coragem E escrevi a voz de Pedro num livro imortal Eu, o garoto que fugiu do campo Desenhei no papiro o rugido do Leão

Mas a fraqueza de ontem não dita o meu fim A poeira da estrada ainda clama por mim Quem foge da guerra na primeira jornada Não sabe o que a Graça prepara na estrada A Graça, o mistério da Graça

Muitos invernos se passaram Soube que Paulo envelheceu Estava numa masmorra escura em Roma Esperando a espada de Nero O homem de ferro agora com o coração terno Moldado pela doçura e pelo amor de Cristo

Então me chega a última carta dele a Timóteo O velho apóstolo escreveu Selando o nosso perdão e a nossa união Traze Marcos contigo Porque ele me é muito útil para o ministério

O covarde virou voz O inútil, virou farol O desertor, abraçado pelo apóstolo No fim da corrida Mistério da Graça